A Falência do Protagonismo Político e a Força da Unidade Popular
O que aconteceu no Porto em 2024 reflete o afastamento de alguns partidos de esquerda, que se dizem revolucionários e que reivindicam ser os bastiões da luta pelos direitos dos trabalhadores em Portugal, da prática anticapitalista mais básica. Foi visto que, quando partem para ação, essas organizações tentam excluir trabalhadores de outros coletivos, no momento em que esses tentam somar nas fileiras e criar uma voz uníssona por direitos dos oprimidos. Por medo de “perderem” o protagonismo político ou de terem a visibilidade ofuscada, essas organizações atuam com uma postura sectária, justamente no momento em que estamos vivendo, de forma escancarada, a ascensão de um movimento fascista mundial. Os grupos sindicais, teoricamente encarregados de representar a voz dos trabalhadores, preferem excluir, com o auxílio da força policial, coletivos menores, em vez de lutar em conjunto pelos direitos de todos os trabalhadores portugueses. Este é o momento de nos unirmos. Devemos levantar nossas bandeiras contra o capital, que nos oprime todos os dias, que exclui trabalhadores informais, que desemprega e explora mulheres de maneira arbitrária, que oprime corpos LGBTI+, que joga os povos racializados nos guetos, que nos nega habitação, nos nega saúde e o direito básico de viver — e tudo isso com o apoio das mesmas forças policiais que separaram os coletivos dos grupos sindicais no 1º de maio! Camaradas, não podemos abaixar a nossa guarda nem parar de lutar! Não é porque certos grupos, que vivem de belos discursos, mas fogem da missão concreta de organizar as classes, desistiram que nós também vamos desistir.
A juventude precisa retornar aos sindicatos.
É necessário assumir nosso lugar na luta de classes e nos apresentar diante da missão de unir os trabalhadores de forma eficiente — missão essa que já foi lutada no passado e provada correta com a derrota do nazismo! É necessária muita paciência e humildade para buscar a juventude trabalhadora, que está desacreditada, que não enxerga nos sindicatos espaços de luta e relevância. Temos que mostrar que os sindicatos são nossas escolas de formação para a consciência de classe e a luta por direitos. Devemos superar as estruturas atrasadas que dominam muitos desses espaços e atuar para reconstruir as pontes que foram fragilizadas entre os sindicatos e os trabalhadores. Precisamos auxiliar esses novos construtores na reconstrução, e não terminar de derrubar as estruturas já fragilizadas. Precisamos fortalecer as fileiras sindicais com nossos camaradas e fazer a nossa luta política por dentro. É fundamental conquistarmos esses espaços e começarmos a pautar as nossas lutas.
Precisamos criar uma união entre imigrantes e povos racializados. O trabalho com os sindicatos é essencial, mas precisamos compreender que o capitalismo utiliza o racismo e a xenofobia como ferramentas estratégicas para dividir, enfraquecer a unidade da classe trabalhadora e aumentar a exploração. Os trabalhadores racializados e imigrantes estão entre os mais explorados e invisibilizados, submetidos à superexploração e à repressão diária. Essa opressão, camaradas, não é uma particularidade portuguesa, mas sim uma engrenagem central do sistema capitalista, mantida tanto por governos que se apresentam como “progressistas” quanto pelos regimes reacionários de direita. Estamos observando o aumento da repressão policial contra povos racializados e imigrantes, estamos ouvindo um discurso cada vez mais presente em rádios e televisões sobre insegurança, porém que não é baseado em dados ou estatísticas, mas em preconceito e xenofobia da maneira mais óbvia possível. Em contrapartida, se olharmos para os dados, podemos observar que as freguesias onde a presença de imigrantes é maior apresentam taxas menores de criminalidade, derrubando essa narrativa fabricada para justificar a repressão e dividir a classe trabalhadora. Enquanto essa narrativa reacionária cresce, muitas pessoas são alienadas a tal ponto que ignoram quando veem imigrantes assumindo postos de trabalho onde as horas trabalhadas são excessivas, onde não existe folga, onde esses imigrantes se matam em trabalhos pesados na área da construção civil e se arriscam madrugadas a fio para entregarem alimentos por meio de aplicativos. Ignoram que essas pessoas são exploradas, tanto por empregadores quanto pela especulação financeira, que subjuga famílias a dividirem quartos. Ignoram que a AIMA não funciona e praticamente força os trabalhadores a procurarem auxílio jurídico, em média 1000 euros — em um país onde o salário mínimo é 870 euros — para poderem ter acesso ao que é de direito. Se a luta dessas pessoas não for abraçada por nós, quem mais somará força com esses trabalhadores? Vamos esperar que o capitalismo avance a tal ponto que todos nós percamos nossos direitos para só então voltarmos nossos olhares para as populações racializadas e exploradas? Eu digo que não! Precisamos unir forças e lutar lado a lado agora! É necessário atacarmos o capitalismo e não apenas as suas consequências.
A unidade de luta contra o fascismo e a precarização.
Justamente quando assistimos às grandes construtoras, às grandes farmacêuticas, aos cartéis das BigTech, às grandes seguradoras de saúde e aos bancos com lucros recordes, também assistimos à ascensão fascista, ao fim dos direitos trabalhistas, à precarização dos trabalhos e à presença de discursos mágicos e fáceis, mirando, em sua maioria, populações marginalizadas e racializadas. Companheiros, esse momento histórico nos chama a ganhar as massas, a organizar os trabalhadores de todos os setores, extratos sociais, raças e gêneros. Como disse Dimitrov: “criar a frente única, estabelecer a unidade de ação dos operários em cada empresa, em cada bairro, em cada região, em cada país, no mundo inteiro.” A unidade de ação do proletariado sobre um plano nacional e internacional: eis aí a arma poderosa que capacita a classe operária não só para a defesa eficaz, como também para a contraofensiva eficaz contra o fascismo, contra o inimigo de classe”. Apenas com ações organizadas e com um caráter profundamente revolucionário, buscando unir os trabalhadores, podemos derrotar a besta fascista que cresce diante de nossos olhos e vem destruindo nossos direitos e sonhos. Devemos nos armar com a teoria revolucionária e levá-la às ruas por meio de ações de agitação e propaganda. É nossa obrigação expor as contradições profundas desse sistema, denunciando suas injustiças e suas mentiras. Precisamos lutar por melhorias concretas e transformadoras, que ultrapassem o mero discurso, e unir forças com trabalhadores de todos os setores para, unidos, construirmos uma alternativa concreta e revolucionária para o povo trabalhador. Somente através da organização e da luta podemos construir o caminho para a emancipação da classe trabalhadora.