Luta de classes

Da precarização ao autoritarismo: a resposta do capital à sua própria crise.

Nuno Silva 31/01/2025

Do lucro recorde à miséria coletiva.

Diariamente, estamos assistindo, através das grandes mídias convencionais e redes sociais, às contradições do capitalismo e suas consequências à classe trabalhadora. Por um lado, o preço dos alimentos está subindo, as crises climáticas estão cada vez mais agravadas, as novas gerações não conseguem sair da casa dos pais e ter acesso à casa própria, a saúde pública está cada vez mais sucateada, e a uberização das relações de trabalho avança de forma descontrolada. Por outro lado, vemos os grandes bancos, seguradoras de saúde e monopólios dos setores de alimentação anunciando lucros nunca antes vistos, lucros esses que são obtidos justamente na exploração dos trabalhadores, que estão cada dia mais precarizados.

Essa contradição entre a exploração dos trabalhadores e os lucros recordes de uma minoria não é algo novo no capitalismo e já havia sido apresentada por Marx e Engels há dois séculos atrás. Sabemos disso, e também sabemos que as soluções apresentadas pelo sistema sempre apontam para o caminho da radicalização, apresentando ideais nacionalistas, fascistas e sem um lastro real com a realidade. Isso fica evidente com a segunda eleição de Trump, a ascensão de movimentos neonazistas na Europa, Brasil, Índia, etc., onde os partidários desses movimentos criam narrativas e respostas fáceis, visando afastar o olhar do trabalhador do problema real, e voltando esse olhar para um espantalho, assim como foram os judeus no passado e hoje acontece com imigrantes e populações racializadas.

A resposta do capital sempre será mais capital.

Fica claro que a adoção desses discursos é uma prática comum no capitalismo em momentos de crise, visto que não há respostas reais para os trabalhadores. As contradições estão exacerbadas e os discursos mágicos dos coachs, a ideia do empreendedorismo individualista e os mitos neoliberais, que prometeram salvar as nações, afundaram ainda mais as economias e derrubaram brutalmente a qualidade de vida das pessoas. É visível a transição que estamos acompanhando dos trabalhos formais em trabalhos precarizados — contratos de trabalho temporários, trabalhos por aplicativo — onde não existe regularização desse mercado e um avanço cada vez mais acelerado da exploração.

Nos foi empurrado goela abaixo um discurso falso e simplista, pregando que empresas públicas seriam inviáveis, sendo assim, todas deveriam ser privatizadas e transformar-se em lucrativas. Com esse belo discurso, os grandes capitalistas se apropriaram de estruturas montadas pelo Estado, financiadas com o dinheiro, suor e sangue dos trabalhadores, para explorar ainda mais a força de trabalho, aumentar tarifas e gerar lucros exorbitantes.

Apenas a união de classes pode nos defender.

É urgente e necessária a mobilização da classe trabalhadora, o avanço de ideias reacionárias e chauvinistas é uma resposta desesperada desse sistema podre que se utiliza do ódio, destruição da qualidade de vida, exploração desenfreada e discursos racistas para desviar o foco da verdadeira luta: A luta de classes!

Sem uma organização coletiva e consciência de classe, nós trabalhadores continuaremos à mercê de falsas promessas e narrativas descoladas da realidade, que servem apenas para favorecer a manutenção da exploração. É preciso unificar nossas lutas e superar esse sistema que apenas causa mortes, miséria, violência, preconceitos e nos nega a dignidade.

Não podemos fechar nossos olhos e ignorar o fato de que a ascensão do fascismo é um sintoma de uma crise global do capitalismo. Como não há respostas concretas para essa crise, o sistema está novamente recorrendo à violência e ao autoritarismo para se manter. Camaradas, fechar os olhos ou fugir dessa luta não nos vai tirar da barbárie. É necessário ressaltar que somente através da união, da luta concreta e organizada, nós vamos derrubar o capitalismo e construir um futuro digno para todos.