Eleições 2025

O preço da covardia reformista

Luan Almeida 20/05/2025

O avanço do fascismo já estava anunciado

Com o fim das eleições legislativas de Portugal em 2025, muitas pessoas demonstraram surpresa, revolta, tristeza e até desespero com os resultados. No entanto, esse horizonte de derrota eleitoral era mais do que previsível.

Vivemos um cenário em que os trabalhadores são castigados diariamente, com alimentos a preços abusivos, insegurança no trabalho, o setor público de saúde em ruínas, rendas inalcançáveis e direitos sistematicamente atacados. O capitalismo, em sua decadência, não oferece respostas reais às massas, que cada vez mais perdem a fé no regime eleitoral liberal, nos discursos vazios e nas promessas sempre adiadas de justiça.

Para quem já compreende a natureza deste sistema, essa análise pode parecer repetitiva. Ainda assim, vale reafirmar: sim, devemos defender a revolução comunista, a ditadura do proletariado e o governo operário. Ideias essas já validadas historicamente pela Comuna de Paris em 1871, pela Revolução de Outubro de 1917 e por tantas outras experiências revolucionárias.

A social-democracia é a ala moderada do fascismo!

Mas por que insistir no óbvio? Porque há outra obviedade que precisa ser dita com todas as letras: não avançaremos enquanto não reconhecermos que o fracasso eleitoral da esquerda é, em grande parte, responsabilidade da própria esquerda reformista. Uma esquerda rebaixada, sem projeto revolucionário, atolada em compromissos com o capital, orientada por uma filosofia eurocomunista covarde, que abandonou a luta de classes real em troca de votos e projetos pessoais de poder.

Não é surpresa que as massas se afastem e não se identifiquem com os partidos da ordem. Foram traídas por aqueles que prometeram mudança e entregaram apenas mais do mesmo. A reconstrução da esquerda revolucionária passa, antes de tudo, pelo rompimento com esse reformismo paralisante, pelo fim da dependência exclusiva da via parlamentar burguesa, por abandonar a ideia de que reformas graduais irão, por si só, melhorar o sistema. É espantoso que ainda precisemos apontar erros que Lenin e Rosa Luxemburgo já denunciavam no início do século XX, mas os reformistas burgueses seguem se recusando a romper com essas tradições tacanhas.

É justamente nesse vácuo criado pela falência política e moral da esquerda reformista que os projetos reacionários ganham força. A ascensão dos fascistas em Portugal, com seu discurso “contra o sistema”, “contra os corruptos” e pela “ordem”, é a consequência direta da impotência e da covardia política da social-democracia portuguesa. Quando a esquerda abandona o campo da luta de classes e se converte em mera gestora do capital, ela entrega de bandeja o descontentamento popular à extrema-direita, que se apropria da raiva das massas e a converte em ódio contra os mais vulneráveis, enquanto protege os interesses dos grandes capitalistas.

Vamos repetir sempre: o fascismo não é uma anomalia. É a resposta organizada da burguesia à falência da esquerda domesticada.

Não podemos simplesmente dizer “precisamos fazer uma revolução” e, ao mesmo tempo, xingar os trabalhadores de “burros” ou afirmar que as massas “querem viver no inferno”. Quem, em sã consciência, deseja viver no inferno? Para o inferno vão os partidos da esquerda institucional, com seus vieses reformistas, carregando junto suas políticas rebaixadas, seus movimentos que não buscam emancipar os trabalhadores, mas sim empurrar seus projetos medíocres, que visam apenas votos, instrumentalizando o sofrimento alheio, propondo medidas paliativas e teses antirrevolucionárias, que, no fim, apenas traem o marxismo-leninismo sob o pretexto de “realismo político”. Na verdade, são apenas gestores de confiança do capital dentro do movimento operário.

Chegou o momento de lutarmos por projetos sociais que realmente emancipem os trabalhadores. É hora de fortalecer as lutas nos bairros, nos sindicatos, nas associações de imigrantes, lutar pela criminalização do feminicídio, buscar direitos e igualdade para todas as pessoas, independentemente da cor, identidade de gênero ou nacionalidade. Devemos apresentar àqueles que sofrem diariamente uma alternativa real, uma organização profundamente revolucionária, que siga a linha marxista-leninista, que se torne um só corpo e mente, unindo estudo e luta em uma massa única e combativa! A revolução não se faz com discursos vazios nem com alianças com a burguesia. Ela exige rupturas corajosas, organização das massas, combate nas ruas e nas fábricas, até a tomada real do poder.

Basta de paternalismo medíocre, de políticos que buscam apenas protagonismo. Precisamos devolver o protagonismo ao povo e assumir nossa função de guias — não para cobrar votos na próxima eleição, mas para emancipar os trabalhadores da dependência de promessas vazias e das mentiras desses oportunistas que só almejam uma cadeira no parlamento.