A fragilidade do discurso radical e a força da organização.
Quando falamos publicamente de luta revolucionária marxista-leninista, alguns trabalhadores progressistas, que ainda não estão politizados, sentem medo e associam nossa disputa apenas à violência e à luta armada. Já outros trabalhadores, mais adeptos a ideias radicais, porém desconectados da teoria marxista-leninista, nos taxam como “anti-revolucionários”, “panfleteiros” ou pessoas que só fazem “passeios no parque”. Essa dualidade de percepções sobre a nossa luta reflete um problema real e profundo: a falta de uma compreensão clara do que significa a luta revolucionária organizada! Precisamos trabalhar para mostrar aos trabalhadores que a revolução proletária não é apenas um banho de sangue gratuito e selvagem, nem um “passeio no parque” para fazer panfletagem de forma abstrata, mas sim um sistema complexo que necessita de estudo, prática constante e estratégia.
Sem o povo, não há revolução!
Quando ouvimos o discurso de que precisamos urgentemente de “milícias armadas” como solução imediata para iniciarmos nossa revolução e transformarmos a realidade, é, na maioria das vezes, um radicalismo vazio de pessoas que preferem ignorar a materialidade e abrem mão da teoria revolucionária marxista-leninista. É preciso salientar que, quando falamos de leninismo, não estamos falando de textos abstratos, obras que servem apenas para mofar em estantes, ou um guia de como fazer panfletos. Estamos falando de um conjunto de ferramentas que, se aplicadas corretamente, podem transformar nossa realidade. Ignorar esses acúmulos teóricos em favor de ações imediatas é o mesmo que construir um prédio sem fundação, uma casa sem alicerce: a princípio, pode parecer ter resultados rápidos, porém está fadada ao fracasso.
Aqueles que ignoram a teoria organizativa dos trabalhadores, pois acham que isso é ter uma postura dogmática, e assumem uma postura que valoriza o papel de ações individualistas, acreditando que a multidão passiva será influenciada pela ação dos “grandes homens”, o que é isso, senão o mais puro suco do idealismo? É a negação do marxismo-leninismo e da análise materialista da realidade.
Então, que busquemos o povo!
Precisamos reforçar que organizar a classe trabalhadora não pode ser visto como uma ação pontual, como uma estratégia temporária e sem utilidade. As organizações comunistas devem sempre buscar os trabalhadores que estão desorganizados e fragmentados — fragmentação essa que se dá pelo enfraquecimento dos sindicatos, pelo avanço da precarização do trabalho, pela divisão internacional do trabalho e pelos instrumentos de dominação do discurso (jornais, redes sociais etc.), que são ferramentas da burguesia.
Enquanto os que nos chamam de dogmáticos criticam nossa tentativa de organização, as classes dominantes, os monopólios da burguesia mundial, estão cada vez mais interligados e apoiando eleições mundialmente. Eles avançam suas agendas LGBTIA+fóbicas, anti-imigração e, cada vez mais, solapam os direitos trabalhistas e os direitos já conquistados.
Devemos estudar a realidade de onde vivemos e levar aos trabalhadores a teoria revolucionária marxista-leninista, buscando criar uma unidade de ação e fornecer o terreno necessário para receber e ajudar a reerguer o movimento revolucionário dos trabalhadores. Afinal, o avanço qualitativo só pode ser feito mediante um avanço quantitativo.
Não podemos nos dar ao luxo de ignorar essa etapa essencial do processo. É visto no atual movimento comunista português essa falha: os partidos e os movimentos sociais se esqueceram e se afastaram do trabalho árduo e cansativo de buscar e entender as dores dos trabalhadores e, através da teoria leninista, buscar soluções e avançar. Ora, se nós não queremos organizar os oprimidos, racializados, humilhados e explorados, então do que adianta nos declararmos comunistas? Se vamos ignorar a potente teoria organizativa, que já libertou e libertará as nações oprimidas, do que adianta bancar de ser radical? Não precisamos de soldados iluminados, não precisamos de estrelas, não precisamos dos melhores e dos mais excepcionais. Precisamos de trabalhadores organizados, conscientes de suas dores, atentos às contradições, humildes para aceitar críticas e abertos às provações e às tarefas da revolução.